Alcoolização de Endometrioma: quando considerar este tratamento minimamente invasivo

Postado em: 28/09/2025

A alcoolização de endometrioma — também chamada de escleroterapia com etanol — é um procedimento minimamente invasivo em que o conteúdo do cisto é aspirado e, em seguida, injeta‑se álcool absoluto para destruir as células endometrióticas que revestem a parede do cisto. É uma alternativa para casos selecionados, sobretudo quando se deseja preservar a reserva ovariana e/ou programar um ciclo de fertilização in vitro (FIV).

Com este texto você vai entender o que é o endometrioma, como a alcoolização é feita, quando está indicada, benefícios, limitações, riscos e como decidir o melhor tratamento.

O que é endometrioma?

O endometrioma é um cisto de endometriose que se forma no ovário. Ele costuma ter conteúdo “achocolatado” (sangue antigo) e pode impactar dor pélvica e fertilidade. Se você quer se aprofundar no tema “endometriose”, veja a página informativa da Dra. Aline: Endometriose: sintomas, diagnóstico e tratamentos.

O que é a alcoolização de endometrioma?

É uma técnica guiada por ultrassonografia na qual:

  • faz‑se a punção transvaginal do cisto sob sedação;
  • aspira‑se o conteúdo;
  • injeta‑se álcool absoluto dentro da cavidade do cisto;
  • o etanol permanece por cerca de 5 minutos e então é aspirado novamente.

Para quem é indicada?

A indicação é individualizada, mas em alguns casos esse tratamento minimamente invasivo pode ser considerado:

  • Endometriomas recorrentes (que voltaram após cirurgia) maiores que 3 cm, quando há planejamento de FIV próximo.
  • Situações em que se busca evitar nova cistectomia, procedimento que pode reduzir a resposta ovariana a gonadotrofinas e diminuir o número de oócitos recuperados — aspecto relevante para quem deseja engravidar.

Importante lembrar que este procedimento não é um substituto da cirurgia. Em alguns casos, a cirurgia continua sendo a melhor estratégia (por exemplo, quando há múltiplas lesões profundas). A decisão deve considerar idade, sintomas, tamanho/posição do cisto, reserva ovariana e plano reprodutivo.

Como é o procedimento (passo a passo)

  • Sedação da paciente
  • Punção do cisto guiada por ultrassonografia transvaginal e aspiração do conteúdo.
  • Injeção de etanol absoluto.
  • Aguardar 5 minutos para ação do etanol no revestimento do cisto.
  • Reaspiração do álcool e reavaliação ultrassonográfica.

Benefícios potenciais

  • Preservação da função ovariana ao evitar nova cistectomia em candidatas à FIV.
  • Controle do cisto durante a estimulação ovariana: no estudo piloto, nenhum cisto recidivou durante a indução da ovulação, permitindo a captação de oócitos e transferência embrionária em 71,4% das pacientes; a taxa de gravidez por transferência foi de 20% (amostra pequena).
  • Minimamente invasivo e realizado com guia ultrassonográfica, sem incisões.

Limitações e o que a ciência ainda discute

  • Resultados de longo prazo: há variação entre protocolos (aspirar ou não o etanol ao fim do procedimento). Em uma série citada na literatura, deixar o etanol na cavidade foi associado a menor recidiva (13,3%) em comparação a aspirá‑lo (32,1%); ainda assim, os dados são heterogêneos e exigem interpretação cautelosa.
  • Não trata outras lesões de endometriose profunda fora do ovário — por isso, a avaliação completa (clínica e por imagem) continua fundamental.

Se você precisa investigar a extensão das lesões, conheça o Mapeamento de endometriose por imagem.

Riscos e efeitos colaterais

Como todo procedimento invasivo, podem ocorrer dor pélvica transitória, sangramento leve e infecção (raro). No estudo científico, não houve episódios de infecção ou sangramento significativo, sugerindo bom perfil de segurança em mãos experientes.

Perguntas frequentes (FAQ)

A alcoolização substitui a cirurgia?

Não necessariamente. Ela pode adiar ou evitar nova cirurgia em casos selecionados — especialmente em candidatas à FIV com endometrioma recorrente —, mas a decisão é personalizada.

Ajuda a preservar a fertilidade?

Pode ser uma estratégia conservadora quando a cistectomia repetida poderia reduzir a resposta ovariana. Porém, a taxa de gestação depende de múltiplos fatores (idade, reserva ovariana, qualidade embrionária etc.).

É realmente minimamente invasivo?

Sim. É guiado por ultrassom e feito via punção, sem cortes. Materiais de especialistas e clínicas no Brasil descrevem a técnica como minimamente invasiva e voltada a preservar o ovário quando bem indicada.

Como decidir o melhor tratamento?

A escolha entre tratamento clínico, cirurgia e alcoolização depende do seu objetivo (controle da dor x gestação), idade, tamanho do cisto, reserva ovariana e presença de outras lesões. Agende uma avaliaçãocom a Dra. Aline Borges. Para complementar o cuidado, confira também os conteúdos do blog da Dra. Aline sobre alimentação para endometriose e endometriose no intestino: tratamento.

Quer saber se a alcoolização de endometrioma é para você?

Entre em contato com a equipe da Dra. Aline Borges e agende sua consulta pelo WhatsApp ou pelo site. Estamos à disposição para orientar, discutir opções e planejar seu cuidado com segurança e acolhimento.


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