Cisto no ovário: como é o tratamento (tipos mais comuns e quando agir)

Postado em: 08/09/2025

O cisto no ovário é um achado comum ao longo da vida reprodutiva. O tratamento depende do tipo de cisto identificado e dos sintomas. De forma didática, os cistos se dividem em três grupos: cistos fisiológicos (funcionais), tumores benignos e tumores malignos. Este guia explica, em linguagem simples, o que caracteriza cada grupo, quando observar, quando medicar e quando operar.

Entre os cistos fisiológicos — que surgem durante os ciclos menstruais — os mais frequentes são o cisto folicular e o cisto de corpo lúteo. Já entre os tumores benignos, destacam-se os teratomas, cistoadenomas e endometriomas. Os tumores malignos de ovário são menos comuns e ocorrem principalmente após a menopausa.

Cistos fisiológicos: o que são e quando desaparecem

Os cistos fisiológicos surgem principalmente durante a vida reprodutiva. Fazem parte das variações naturais do ciclo e, na maioria das vezes, desaparecem sozinhos. Incluem o cisto folicular e o cisto de corpo lúteo (também chamado de hemorrágico).

Cisto folicular: por que surge e quanto tempo dura

O cisto folicular é uma bolsinha simples de líquido que se forma quando o folículo não se rompe para liberar o óvulo. No ultrassom, tem aspecto simples. Normalmente não causa sintomas e regride espontaneamente em até 6 meses, raramente ultrapassando 6 cm de diâmetro. Esse desaparecimento ocorre independentemente do uso de pílula ou outros hormônios.

Usuárias de DIU hormonal (Mirena ou Kyleena) podem apresentar cistos foliculares com frequência. Eles são benignos e geralmente não interferem nas atividades diárias. Não impedem a ovulação em ciclos seguintes; se houver persistência ou desconforto, o acompanhamento com o ginecologista é indicado.

Cisto de corpo lúteo (hemorrágico): dor na ovulação e conduta

O cisto de corpo lúteo surge após a ovulação, quando o folículo que liberou o óvulo se transforma em corpo lúteo, estrutura temporária que produz progesterona. Se um pequeno vaso se rompe, o cisto pode conter sangue — daí o nome hemorrágico. O sintoma mais comum é dor súbita e localizada em um lado da pelve, no período ovulatório.

Se o cisto crescer muito ou o sangue vazar para o abdome, a dor pode ser intensa e exigir atendimento médico. Apesar de geralmente desaparecer sozinho, raramente pode causar torção do ovário ou hemorragia significativa.

Tratamento: na maioria das vezes, analgésicos bastam para controle da dor, pois o cisto regride rapidamente. A cirurgia é indicada apenas quando há hemorragia dentro da cavidade abdominal (situação rara).

Tumores ovarianos benignos que formam cistos

Alguns tumores benignos também podem se apresentar como cistos no ovário. Os mais comuns são os teratomas, os cistoadenomas e os endometriomas.

Teratoma (cisto dermoide): o que é e quando operar

Teratomas são tumores benignos de células germinativas que podem conter gordura, cabelo, dente ou osso. Eles não desaparecem espontaneamente e, quando grandes, devem ser retirados, pois aumentam o risco de torção do ovário.

Cistoadenoma: cresce e costuma exigir retirada

Cistoadenomas são tumores benignos que podem atingir grandes dimensões — 10, 20 ou até 30 cm. Se um cisto benigno não desaparece e continua crescendo, a cirurgia para retirada é indicada.

Endometrioma (endometriose no ovário): quando pensar em cirurgia

Endometriomas são a forma ovariana da endometriose, contendo sangue proveniente dos focos endometriais. Geralmente causam sintomas de endometriose, e a cirurgia é indicada quando há dor associada.

Cistos malignos de ovário: quando acender o alerta

Os tumores malignos de ovário são incomuns e ocorrem principalmente após a menopausa. Todo cisto com características suspeitas no ultrassom deve ser avaliado rapidamente por um especialista.

Como reduzir o risco de câncer de ovário (quando possível)

Não existe rastreamento efetivo para câncer de ovário, mas duas medidas podem reduzir o risco:

1) Uso de pílula anticoncepcional — reduz o risco de câncer de ovário, endometriose e, em alguns estudos, de intestino. Porém, aumenta o risco de câncer de mama.

2) Retirada das trompas (salpingectomia) — cerca de 70% dos tumores malignos de ovário têm origem nas trompas; a retirada reduz o risco futuro.

Cisto no ovário: principais tipos e o que fazer

Agora que você entende melhor os tipos de cisto no ovário e como é o tratamento, agende uma consulta para avaliação individualizada. O acompanhamento adequado define quando apenas observar, quando tratar a dor e quando considerar cirurgia.

Perguntas frequentes (FAQ)

Cisto no ovário some sozinho?

Na maioria das vezes, sim. Cistos fisiológicos regridem espontaneamente. Se persistirem ou causarem dor, procure o ginecologista.

Cisto hemorrágico dói muito. Devo ir ao pronto‑socorro?

Dor súbita e intensa na ovulação deve ser avaliada para excluir complicações raras, como hemorragia significativa ou torção ovariana.

DIU hormonal (Mirena/Kyleena) causa cisto?

Sim, pode causar cistos funcionais, que geralmente desaparecem espontaneamente e não exigem tratamento.

Cisto folicular atrapalha a ovulação no futuro?

Não. O cisto folicular não impede a ovulação nos ciclos seguintes.

Quando o cisto precisa de cirurgia?

Depende do tipo e da evolução. Teratomas e cistoadenomas grandes exigem retirada; endometriomas com dor também podem necessitar cirurgia.

Referências (seleção)

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