Quando congelar óvulos: melhor idade, critérios e expectativas

Postado em: 25/10/2025

Toda mulher nasce com uma reserva ovariana — a quantidade de óvulos disponíveis ao longo da vida. Com o passar dos anos, essa reserva diminui em número e qualidade. Essa queda acelera após os 35 anos e, depois dos 40, as chances de gravidez natural caem de forma significativa. Também aumentam as alterações genéticas dos óvulos (aneuploidias), que podem levar a abortos espontâneos ou síndromes cromossômicas, como a síndrome de Down [1–2].

O congelamento de óvulos (vitrificação) é uma estratégia de preservação da fertilidade que permite planejar a maternidade com mais tranquilidade. Quando realizado entre 30 e 35 anos, a qualidade genética tende a ser melhor e a resposta à estimulação ovariana mais satisfatória. Exames como o AMH (hormônio antimülleriano) e a contagem de folículos antrais ajudam a definir o momento ideal para cada mulher.

Qual é a melhor idade para congelar óvulos (e por quê)

Entre 30 e 35 anos, a combinação de qualidade genética e quantidade de óvulos costuma favorecer resultados. Nessa fase, geralmente é possível coletar um número adequado de óvulos em menos ciclos, o que aumenta as chances de sucesso em uma gestação futura.

Mulheres com mais de 35 anos também podem se beneficiar, especialmente com protocolos individualizados e com a vitrificação — método ultrarrápido que preserva melhor a estrutura dos óvulos [3–5].

Quando indicar o congelamento de óvulos (preservação da fertilidade)

Indico o congelamento de óvulos nos seguintes contextos:

  • Adiamento da maternidade por motivos profissionais, acadêmicos ou pessoais;
  • Mulheres solteiras que desejam manter chances futuras;
  • Endometriose, doenças autoimunes ou histórico familiar de menopausa precoce;
  • Tratamentos oncológicos (quimioterapia ou radioterapia);
  • Sinais precoces de baixa reserva ovariana em mulheres jovens.

Em todos esses cenários, o congelamento de óvulos é uma ferramenta segura e eficaz para preservar a fertilidade [4–5,8].

Como é o processo de congelamento de óvulos (passo a passo)

1. Avaliação inicial: exames hormonais e ultrassonografia transvaginal para estimar a reserva ovariana e definir a estratégia de estimulação;

2. Estimulação ovariana: uso de hormônios por cerca de 10 a 12 dias para crescimento de múltiplos folículos;

3. Monitoramento: ultrassonografias e exames de sangue para identificar o momento ideal da coleta;

4. Punção folicular: sob sedação leve, os óvulos são aspirados por via transvaginal;

5. Vitrificação: os óvulos maduros são congelados por técnica ultrarrápida, com alta taxa de sobrevivência.

Quantos óvulos devo congelar? (depende da idade)

O número ideal varia conforme a idade no momento da coleta. Em média:

  • Aos 30 anos: cerca de 10 a 12 óvulos costumam oferecer boa chance de sucesso;
  • Aos 35 anos: recomenda-se buscar entre 15 e 20 óvulos;
  • Após os 38 anos: pode ser necessário coletar uma quantidade maior ou realizar mais de um ciclo.

Esses valores são estimativos. O planejamento é individualizado, levando em conta a resposta à estimulação e os objetivos reprodutivos [6–7].

Taxa de sucesso do congelamento de óvulos: o que esperar

Quando a coleta é realizada antes dos 35 anos, as chances de gravidez futura com óvulos congelados costumam ficar entre 60% e 70%. Os resultados podem ser melhores quando se utilizam embriões cromossomicamente normais (euploides), identificados pelo PGT‑A (teste genético pré‑implantacional). Com o avanço da idade, essas taxas tendem a diminuir [7,9].

Observação: os percentuais são estimativas de aconselhamento e podem variar conforme idade, número de óvulos congelados e características individuais.

Congelamento de óvulos: decisão consciente e planejada

Congelar óvulos é uma escolha de autocuidado e liberdade reprodutiva. A estratégia preserva a fertilidade para decidir o melhor momento para engravidar, com respaldo científico e acompanhamento médico.

Se você tem entre 30 e 35 anos ou fatores de risco para queda da reserva ovariana, vale discutir o tema em consulta. Avaliaremos histórico, exames (como AMH e contagem de folículos antrais) e expectativas com clareza [4].

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Dra. Aline Borges é médica ginecologista e especialista em reprodução humana, atua na área de ultrassonografia da imagem da mulher e é professora dos cursos de HyCoSy e ultrassonografia para endometriose no CETRUS.

CRM 120044/SP • RQE nº 83943 – Ginecologia e Obstetrícia • RQE nº 58644 – Diagnóstico por imagem • RQE nº 839431 – Reprodução Assistida.

Perguntas frequentes (FAQ)

Com quantos anos é melhor congelar óvulos?

Em geral, entre 30 e 35 anos. Nesse período, a qualidade genética costuma ser mais alta e a resposta à estimulação ovariana tende a ser melhor.

Após os 35 anos ainda vale a pena congelar?

Sim. Muitas mulheres acima de 35 têm bons resultados, especialmente com protocolos individualizados e vitrificação.

Quantos óvulos devo congelar para ter boas chances?

Como referência: 10–12 óvulos aos 30 anos; 15–20 aos 35; e, depois dos 38, pode ser preciso mais de um ciclo.

Quais exames ajudam a decidir a hora certa?

O AMH (hormônio antimülleriano) e a contagem de folículos antrais por ultrassonografia são os principais exames para estimar a reserva ovariana.

Referências

  1. 1. Herbert M, Kalleas D, Cooney D, Lamb M, Lister L. Meiosis and maternal aging: insights from aneuploid oocytes. Hum Reprod Update. 2015;21(6):686-699.
  2. 2. ACOG. Pregnancy at Age 35 Years or Older. Obstetric Care Consensus. 2022.
  3. 3. ASRM Practice Committee. Evidence-based outcomes after oocyte cryopreservation. Fertil Steril. 2021;115(2):e3-e15.
  4. 4. ESHRE Guideline Group. Female fertility preservation. Hum Reprod Open. 2020;2020(4):hoaa052.
  5. 5. ACOG Committee Opinion No. 584: Oocyte cryopreservation. Obstet Gynecol. 2014;123(1):221-222.
  6. 6. Goldman RH et al. Predicting the likelihood of live birth for elective oocyte cryopreservation. Hum Reprod. 2017;32(4):853-859.
  7. 7. Maslow BSL et al. Likelihood of achieving a 50–70% estimated live birth rate with 1–2 planned cycles. J Assist Reprod Genet. 2020;37(8):1905–1914.
  8. 8. Chon SJ et al. Oocyte cryopreservation for women with endometriosis. Front Endocrinol (Lausanne). 2024.
  9. 9. ASRM & SART. The use of preimplantation genetic testing for aneuploidy (PGT-A): a committee opinion. Fertil Steril. 2024;122(3):421–434.

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