Terapia hormonal na menopausa: benefícios, indicações e cuidados
Postado em: 25/08/2025
A terapia hormonal na menopausa, também chamada de reposição hormonal, é uma opção para aliviar sintomas que surgem quando os hormônios femininos diminuem. Entre os sintomas mais comuns estão os fogachos (ondas de calor), a insônia, as alterações de humor, a diminuição da libido e o ressecamento vaginal. Este conteúdo explica, em linguagem simples, como a reposição pode ajudar, quem pode usar, quando evitar e quais efeitos colaterais podem aparecer.
As mudanças hormonais fazem parte de várias fases da vida da mulher. Uma das principais é o climatério, período de transição que costuma começar cerca de dois anos antes da menopausa. A menopausa, por definição, ocorre quando a mulher completa 12 meses sem menstruar. Essa fase é marcada pela queda da produção de estrogênio, progesterona e também de testosterona.
O que é a menopausa e quando costuma acontecer
Menopausa é o termo utilizado quando há um ano completo sem menstruação. A partir daí, considera‑se que a fase reprodutiva se encerrou. A queda dos hormônios femininos pode começar a ser percebida por volta dos 45 anos e se estender até a senescência (após os 65 anos).
Sinais e sintomas que podem aparecer
A diminuição hormonal pode provocar diversos sinais e sintomas que variam de intensidade entre as mulheres. Os mais relatados incluem:
- Fogachos (ondas de calor) e suor noturno;
- Insônia e cansaço (fadiga);
- Alterações do humor;
- Diminuição da libido;
- Ressecamento vaginal, entre outros.
Como a terapia hormonal pode ajudar
Porque os sintomas têm origem na queda da produção hormonal, a terapia hormonal em baixas doses é uma estratégia recomendada para aliviar as queixas. Ela pode ser feita com hormônios de origem sintética ou com hormônios isomoleculares (também chamados de bioidênticos), sempre individualizando a decisão.[1][2]
A eficácia dessa abordagem para reduzir fogachos, melhorar a qualidade do sono e ajudar no equilíbrio do humor está bem estabelecida em diretrizes e revisões. Além disso, em casos de osteopenia e osteoporose, a reposição hormonal auxilia o tecido ósseo a captar cálcio.[1]
Há, ainda, menções a um efeito benéfico na proteção cardiovascular e a uma possível associação com diminuição do risco de doença de Alzheimer ou atraso no seu aparecimento. Os benefícios tendem a superar os riscos quando a indicação é feita dentro da chamada “janela de oportunidade” — para mulheres com menos de 60 anos e com menos de 10 anos desde o início da menopausa — sempre sem contraindicações.[1][2]
Quem pode fazer a terapia hormonal
A terapia hormonal é indicada para mulheres com sintomas decorrentes do declínio da produção de hormônios. Não é necessário esperar a menopausa estar confirmada (12 meses sem menstruar) para considerar o início da reposição, desde que a avaliação clínica indique benefício.
Quando a terapia hormonal não é recomendada
A terapia hormonal não é recomendada nas seguintes situações informadas:
- Antecedente de câncer de mama;
- Doença coronariana;
- História de acidente vascular cerebral (AVC);
- Tromboembolismo;
- Sangramento genital sem causa esclarecida;
- Mulheres com alto risco de desenvolver qualquer uma das condições acima.
Nessas circunstâncias, a avaliação médica especializada é essencial para orientar alternativas de manejo.[2]
Tratamento medicamentoso e mudanças no estilo de vida
O tratamento depende dos sintomas de cada paciente. Além da reposição hormonal, podem ser utilizados antidepressivos, fitoterápicos e cremes vaginais — hormonais ou apenas lubrificantes — para reduzir o ressecamento local.
Mudanças de estilo de vida também fazem parte do cuidado: alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos, redução do peso quando indicado, evitar tabagismo e uso excessivo de álcool.
Tipos de hormônios e formas de uso
Hormônios sintéticos
São fármacos produzidos em laboratório para agir de forma semelhante aos hormônios naturais do corpo. Costumam ter nomes comerciais conhecidos e são encontrados em farmácias com doses padronizadas. Podem ter ação rápida e, como qualquer medicamento, podem apresentar efeitos colaterais.
Hormônios isomoleculares (bioidênticos)
São formulações com estrutura molecular idêntica à dos hormônios humanos. Podem ser obtidos por técnicas de engenharia genética recombinante e, a partir de matérias‑primas naturais, são manipulados em doses personalizadas conforme os sintomas de cada paciente. Segundo essa proposta, teriam atuação idêntica aos hormônios naturais e, por isso, não produziriam efeitos colaterais; na prática clínica, a tolerabilidade costuma ser boa, mas o acompanhamento médico é indispensável.
Vias e apresentações disponíveis
A forma de reposição pode ser escolhida conforme preferência e necessidade clínica: creme, pílula, gel, adesivos (patches) ou implantes hormonais. O objetivo é alinhar conforto, adesão e controle dos sintomas.
Efeitos colaterais mais comuns
Efeitos colaterais podem acontecer, em geral com intensidade leve e transitória, tendendo a desaparecer após o período de adaptação. Os mais frequentes incluem:
- Dor nas mamas (mastalgia);
- Enjoo (náuseas);
- Cefaleia (dor de cabeça);
- Sangramentos de escape.
Duração do tratamento e acompanhamento
A recomendação atual é utilizar a terapia hormonal por tempo curto, visando reduzir efeitos indesejados em longo prazo. Deve sempre ser conduzida com acompanhamento médico especializado, com consultas e exames clínicos e laboratoriais periódicos.
Evidências de longo prazo indicam que, quando indicada de forma apropriada, a terapia hormonal não aumenta a mortalidade geral em seguimento prolongado.[3]
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Referências
1. Faubion SS, Crandall CJ, Davis L, et al. The 2022 hormone therapy position statement of The North American Menopause Society. Menopause. 2022;29(7):767‑794. doi:10.1097/GME.0000000000002028. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35797481/
2. Stuenkel CA, Davis SR, Gompel A, et al. Treatment of Symptoms of the Menopause: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. J Clin Endocrinol Metab. 2015;100(11):3975‑4011. doi:10.1210/jc.2015-2236. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26444994/
3. Manson JE, Aragaki AK, Rossouw JE, et al. Menopausal Hormone Therapy and Long‑term All‑Cause and Cause‑Specific Mortality: The Women’s Health Initiative Randomized Trials. JAMA. 2017;318(10):927‑938. doi:10.1001/jama.2017.11217. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28898378/
