Salpingostomia: quando é indicada e quais são os limites para preservar a fertilidade?
Postado em: 21/08/2026

Quando uma alteração nas trompas é identificada, é comum surgir a dúvida sobre quais opções ainda podem preservar as chances de gravidez. Em casos selecionados, a salpingostomia pode ser considerada para tentar conservar a função da trompa antes de tratamentos como a fertilização in vitro (FIV).
A indicação do procedimento depende de uma avaliação individualizada, que considera as condições das trompas, a idade da paciente, a reserva ovariana e os objetivos reprodutivos. Embora possa contribuir para preservar a função da trompa, a cirurgia tem limitações que devem ser analisadas em cada caso.
Ao longo deste conteúdo, você vai entender o que é a salpingostomia, quando ela pode ser recomendada, seus benefícios e limitações, além das diferenças em relação à salpingectomia e à fertilização in vitro (FIV).
O que é salpingostomia e quando ela pode ser indicada?
A salpingostomia é um procedimento cirúrgico realizado na porção distal da trompa, geralmente indicado em casos de hidrossalpinge — condição em que ocorre acúmulo de líquido dentro da trompa devido a uma obstrução.
Durante a cirurgia, é criada uma abertura na extremidade comprometida da trompa para permitir a drenagem do líquido acumulado e tentar restabelecer sua comunicação com a cavidade pélvica. O objetivo é manter a estrutura tubária e, em situações específicas, preservar a possibilidade de gravidez natural.
A recomendação depende principalmente das condições da trompa. Quando existe menor dano estrutural, ausência de alterações extensas e características favoráveis, a cirurgia pode ser considerada uma abordagem conservadora para pacientes que desejam tentar preservar essa possibilidade.
No entanto, a salpingostomia não é indicada para todos os casos. Trompas com alterações importantes podem não recuperar sua capacidade funcional mesmo após o procedimento. Nessas situações, outras estratégias reprodutivas, como a fertilização in vitro, podem apresentar melhores perspectivas.
Como a hidrossalpinge afeta a fertilidade?
A hidrossalpinge ocorre quando uma trompa obstruída acumula líquido em seu interior. Essa alteração pode comprometer o funcionamento tubário e dificultar o processo natural de reprodução.
Além de prejudicar o transporte do óvulo e dos espermatozoides, o líquido acumulado pode retornar ao útero e interferir no ambiente necessário para a implantação do embrião, reduzindo inclusive as chances de sucesso da fertilização in vitro (FIV).
Por esse motivo, identificar a presença da hidrossalpinge e avaliar suas características é fundamental para definir a estratégia mais adequada para cada paciente.
Qual a diferença entre salpingostomia e salpingectomia?
A principal diferença entre os procedimentos está no objetivo da cirurgia: enquanto a salpingostomia busca preservar a trompa, a salpingectomia consiste na remoção da trompa comprometida.
Na salpingostomia, o cirurgião realiza uma abertura na extremidade obstruída da trompa para permitir a drenagem do líquido acumulado e tentar manter sua funcionalidade.
Já na salpingectomia, a trompa afetada é retirada. Essa abordagem pode ser sugerida quando existe dano tubário importante ou quando a preservação da trompa apresenta baixo potencial de benefício para o planejamento reprodutivo.
A escolha entre manter ou remover a trompa depende das condições anatômicas, do histórico reprodutivo e dos objetivos da paciente. Quando existe uma estrutura tubária com menor alteração, uma abordagem conservadora pode ser avaliada. Porém, diante de alterações extensas, a remoção pode representar uma estratégia mais apropriada.
Quais fatores influenciam a indicação da salpingostomia?
A decisão de realizar uma salpingostomia deve ser cuidadosamente avaliada, pois manter a trompa não significa recuperar sua função de forma completa.
O procedimento pode apresentar maior possibilidade de benefício quando existem características como:
- Menor alteração estrutural da trompa;
- Hidrossalpinge unilateral ou com comprometimento limitado;
- Preservação da mucosa tubária;
- Ausência de aderências pélvicas extensas;
- Reserva ovariana adequada;
- Ausência de outros fatores importantes associados à infertilidade.
Além das condições das trompas, o especialista considera a idade da paciente, o tempo de infertilidade, o histórico reprodutivo e os fatores relacionados ao parceiro.
A análise conjunta dessas informações permite avaliar se a tentativa de preservação tubária apresenta potencial de benefício dentro do planejamento reprodutivo.

Salpingostomia, salpingectomia ou FIV: quais são as opções?
A escolha entre preservar a trompa, removê-la ou realizar a fertilização in vitro (FIV) depende das características de cada caso. Não existe uma estratégia única indicada para todas as pacientes.
Salpingostomia: tentativa de preservar a função tubária
A salpingostomia busca manter a trompa e preservar a possibilidade de gravidez espontânea em pacientes cuidadosamente selecionadas.
O procedimento pode ser considerado quando a estrutura tubária apresenta condições favoráveis. Entretanto, a cirurgia não garante a recuperação completa da função da trompa e pode ocorrer nova obstrução ou retorno da hidrossalpinge ao longo do tempo.
Salpingectomia: remoção da trompa comprometida
A salpingectomia consiste na retirada cirúrgica da trompa afetada. Pode ser recomendada quando existe comprometimento tubário importante, hidrossalpinge extensa ou quando a preservação da trompa apresenta baixa chance de benefício.
Quando realizada com indicação adequada e por equipe experiente, a cirurgia apresenta baixo impacto esperado sobre a reserva ovariana.
Fertilização in vitro como alternativa
A fertilização in vitro (FIV) é uma estratégia que não depende do funcionamento das trompas. Nesse tratamento, os óvulos são coletados diretamente dos ovários, fertilizados em laboratório e o embrião formado é transferido para o útero.
A técnica pode ser a melhor opção quando existe comprometimento tubário bilateral, alterações importantes da anatomia das trompas, falha de procedimentos reparadores ou outros fatores associados à infertilidade.
A definição da abordagem adequada deve considerar as características individuais da paciente e do casal, buscando a estratégia com maior possibilidade de benefício em cada situação.
Como é feita a salpingostomia na prática?
A salpingostomia é realizada normalmente por videolaparoscopia, uma técnica minimamente invasiva que utiliza pequenas incisões no abdome para introdução da câmera e dos instrumentos cirúrgicos.
Durante o procedimento, o especialista avalia a anatomia da pelve, identifica a região comprometida da trompa e realiza uma abertura na extremidade distal para permitir a drenagem do líquido acumulado, especialmente nos casos de hidrossalpinge.
A cirurgia também permite identificar alterações associadas que podem interferir na fertilidade, como aderências pélvicas ou sinais de endometriose, possibilitando o tratamento complementar quando indicado.
Como costuma ser a recuperação?
A recuperação da salpingostomia laparoscópica costuma ser rápida quando o procedimento é realizado de forma isolada.
A alta pode ocorrer no mesmo dia ou após curto período de observação, conforme avaliação da equipe médica. Nos primeiros dias, podem ocorrer desconforto abdominal leve, cólicas e pequeno sangramento vaginal, sintomas que tendem a melhorar progressivamente.
O retorno às atividades habituais depende da evolução individual. Exercícios físicos intensos e relações sexuais devem ser retomados conforme orientação médica.
Quais são os riscos e limites da salpingostomia?
Como qualquer procedimento cirúrgico, a salpingostomia apresenta benefícios e limitações que precisam ser considerados antes da decisão terapêutica.
Possibilidade de nova obstrução ou retorno da hidrossalpinge
Um dos principais limites do procedimento é a possibilidade de a trompa voltar a apresentar obstrução ou ocorrer novamente o acúmulo de líquido.
Esse risco está relacionado ao grau de comprometimento tubário, à presença de alterações inflamatórias anteriores e às condições da estrutura preservada após a cirurgia.
Por isso, o acompanhamento após o procedimento é importante para avaliar a evolução e orientar os próximos passos do planejamento reprodutivo.
Risco de gravidez ectópica
Após procedimentos realizados nas trompas, existe maior risco de gravidez ectópica, situação em que o embrião se implanta fora da cavidade uterina, geralmente na própria trompa.
Isso ocorre porque uma trompa previamente comprometida pode não recuperar completamente sua capacidade funcional, mesmo após a tentativa de reconstrução.
Caso ocorra uma gestação após a salpingostomia, o acompanhamento deve ser realizado precocemente para confirmar a localização adequada da gravidez.
Quando considerar a salpingectomia ou partir para a FIV?
A escolha entre preservar a trompa, realizar sua remoção ou seguir diretamente para a fertilização in vitro (FIV) depende das características de cada paciente e do planejamento reprodutivo.
Quando a remoção da trompa pode ser indicada antes da FIV?
Em casos de hidrossalpinge significativa, principalmente quando existe comprometimento bilateral ou dano importante da estrutura tubária, a salpingectomia pode ser recomendada antes da fertilização in vitro.
A retirada da trompa afetada pode reduzir a influência negativa do líquido acumulado sobre o ambiente uterino e favorecer melhores condições para a implantação embrionária.
A decisão considera fatores como:
- Idade da paciente;
- Reserva ovariana;
- Condições das trompas;
- Histórico reprodutivo;
- Presença de outras causas de infertilidade;
- Objetivos do casal em relação à gestação.
A avaliação com um especialista em Reprodução Humana permite analisar esses aspectos em conjunto e definir a melhor estratégia para cada caso.

FAQ — Perguntas frequentes sobre salpingostomia
Salpingostomia é a mesma coisa que laqueadura?
Não. A laqueadura tubária é realizada com o objetivo de evitar uma gravidez, interrompendo a passagem pelas trompas. Já a salpingostomia tem uma finalidade diferente: criar uma abertura em uma trompa obstruída para tentar preservar sua função e possibilitar uma gravidez natural em casos selecionados.
A salpingostomia elimina a necessidade de FIV?
Não necessariamente. O procedimento pode oferecer uma possibilidade de gravidez espontânea quando as condições tubárias são favoráveis, mas não garante que a trompa recuperará totalmente sua função.
Quando existe dano estrutural importante, nova obstrução ou outros fatores associados à infertilidade, a fertilização in vitro (FIV) pode ser a estratégia mais indicada.
A hidrossalpinge sempre precisa ser operada?
Não. A conduta depende do contexto clínico, dos sintomas e dos objetivos reprodutivos da paciente. Em mulheres sem desejo imediato de gravidez, pode ser possível realizar acompanhamento. Já em situações de planejamento gestacional ou antes da FIV, a avaliação especializada é fundamental para definir se algum tratamento é necessário.
Converse com um especialista para definir a melhor estratégia
A escolha entre preservar a trompa, realizar a remoção cirúrgica ou seguir para a fertilização in vitro (FIV) depende das características de cada paciente e do planejamento reprodutivo.
Na Clínica Saphire, a avaliação considera o histórico clínico, os exames e as evidências científicas mais atuais para indicar a estratégia mais adequada a cada caso.
Se você recebeu o diagnóstico de hidrossalpinge ou outra alteração nas trompas, uma avaliação especializada pode ajudar a esclarecer as opções de tratamento e definir os próximos passos com mais segurança.
