Aderências pélvicas e infertilidade: como podem comprometer as trompas

Postado em: 25/09/2026

Quando a gravidez demora a acontecer, mesmo após um período de tentativas, é natural buscar respostas sobre os possíveis fatores envolvidos.

Em algumas situações, as aderências pélvicas podem estar entre as causas da infertilidade, mesmo quando os exames iniciais não identificam alterações importantes.

Essas formações de tecido cicatricial podem surgir após inflamações, cirurgias ou condições como a endometriose.

Quando envolvem as trompas uterinas e outros órgãos reprodutivos, podem alterar a mobilidade dessas estruturas e comprometer etapas importantes da reprodução, como a captação do óvulo e a fecundação.

Neste conteúdo, você vai entender como essa condição se desenvolve, de que maneira pode afetar as trompas, quais exames auxiliam na investigação e quais opções de tratamento podem ser consideradas de acordo com cada caso.

O que são aderências pélvicas?

As aderências pélvicas são formações fibrosas que se desenvolvem entre órgãos que normalmente deveriam permanecer separados, como trompas, ovários, útero e intestino.

Elas surgem como uma resposta do organismo após processos de inflamação, infecção ou cirurgias. Durante a cicatrização, pode ocorrer uma produção excessiva de fibras que acabam unindo estruturas próximas, alterando sua movimentação ou posição.

Embora muitas aderências não provoquem sintomas, elas podem interferir na função dos órgãos envolvidos.

Quando atingem as trompas uterinas, podem dificultar a captação do óvulo, a fecundação e, consequentemente, reduzir as chances de uma gravidez espontânea.

Como as aderências pélvicas se formam?

A formação das aderências pélvicas está relacionada a situações que provocam inflamação ou lesão nos tecidos da região.

Durante o processo de cicatrização, o organismo produz fibras de colágeno para reparar áreas afetadas. Em algumas mulheres, essa resposta ocorre de forma mais intensa, levando à formação de tecido cicatricial que une estruturas próximas de maneira inadequada.

Entre os principais fatores associados estão:

  • Cirurgias ginecológicas anteriores, incluindo procedimentos para tratamento de miomas, cistos ovarianos ou outras alterações pélvicas;
  • Cesáreas ou outros procedimentos cirúrgicos realizados na região abdominal e pélvica;
  • Infecções pélvicas, como a doença inflamatória pélvica;
  • Endometriose, devido ao processo inflamatório crônico associado à doença.

A presença desses fatores aumenta a possibilidade de formação de aderências, mas não significa que todas as mulheres vão desenvolver alterações com impacto na fertilidade.

Qual é o papel das trompas na gravidez?

As trompas uterinas desempenham uma função essencial na reprodução. Elas captam o óvulo liberado pelo ovário e são o local onde normalmente ocorre o encontro com o espermatozoide. Após a fecundação, o embrião segue em direção ao útero para se implantar e iniciar a gestação.

Quando a anatomia ou a mobilidade das trompas é alterada, esse processo pode ser comprometido, reduzindo as chances de gravidez espontânea.

Quais são as causas de aderências pélvicas?

Diversos fatores podem favorecer o desenvolvimento de aderências pélvicas, principalmente aqueles relacionados a processos inflamatórios ou cirúrgicos.

Cirurgias anteriores na região pélvica

Procedimentos realizados na pelve podem desencadear um processo de cicatrização capaz de favorecer a formação de aderências.

Cirurgias para tratamento de miomas, cistos ovarianos, alterações uterinas ou outros procedimentos ginecológicos podem estar associadas a esse risco. Entretanto, a formação dessas alterações varia conforme fatores individuais e características de cada cirurgia.

Infecções

Infecções que atingem os órgãos reprodutivos femininos, como a doença inflamatória pélvica, podem provocar inflamação nas trompas e nos tecidos próximos.

Quando não tratadas, essas alterações podem deixar cicatrizes, favorecer o desenvolvimento de aderências e comprometer a função tubária.

Endometriose

A endometriose é uma das condições associadas à formação de aderências pélvicas.

A inflamação provocada pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora do útero pode estimular a formação de fibrose ao redor dos ovários, trompas e outros órgãos da pelve, modificando a movimentação dessas estruturas e podendo afetar a fertilidade.

Como as aderências pélvicas podem afetar as trompas e a fertilidade?

As aderências pélvicas podem interferir na fertilidade principalmente quando comprometem a função das trompas uterinas.

Como essas estruturas dependem de mobilidade e posicionamento adequados para exercer sua função, alterações provocadas pelas aderências podem dificultar a fecundação.

Alteração na captação do óvulo

Quando as aderências envolvem os ovários ou a extremidade das trompas, podem modificar a relação entre essas estruturas.

Mesmo que a ovulação ocorra normalmente, o óvulo pode não ser captado de forma adequada pela trompa, reduzindo as possibilidades de fecundação.

Alteração da função das trompas

Em alguns casos, as aderências podem provocar distorções na anatomia da região ou comprometer a movimentação das trompas.

Quando existe alteração importante da função tubária, o encontro entre óvulo e espermatozoide pode ser prejudicado, reduzindo as chances de gravidez espontânea.

Alterações nas trompas podem aumentar o risco de gravidez ectópica, situação em que o embrião se implanta fora da cavidade uterina, geralmente na própria trompa.

Relação com infertilidade secundária

As aderências pélvicas também podem estar relacionadas à infertilidade secundária, caracterizada pela dificuldade para engravidar após uma gestação anterior.

Cirurgias realizadas após a primeira gravidez, infecções ou a progressão de doenças como a endometriose podem modificar a região pélvica ao longo do tempo e interferir na fertilidade.

O que os resultados podem indicar e quais são as opções de tratamento?

A definição do tratamento depende da extensão das aderências pélvicas, das condições das trompas e de outros fatores relacionados à fertilidade do casal.

Durante a avaliação, o especialista considera aspectos como idade da mulher, reserva ovariana, qualidade seminal, presença de endometriose e histórico reprodutivo. A partir dessa análise, é possível definir a estratégia mais adequada para cada situação.

Cirurgia para liberação de aderências: quando pode ser indicada?

Quando as aderências comprometem a mobilidade dos órgãos pélvicos ou interferem no funcionamento das trompas, a cirurgia por videolaparoscopia pode ser considerada em casos selecionados.

O procedimento permite identificar e liberar estruturas afetadas, além de avaliar diretamente as condições das trompas e da pelve.

A indicação depende da extensão das alterações, da preservação da função tubária, da idade da paciente e das perspectivas reprodutivas.

Quando há comprometimento importante das trompas ou outros fatores associados à infertilidade, tratamentos como a fertilização in vitro (FIV) podem oferecer melhores perspectivas.

Fertilização in vitro (FIV) como alternativa

Quando as trompas apresentam alterações significativas ou quando a cirurgia não oferece benefícios esperados, a fertilização in vitro (FIV) pode ser indicada.

Nesse tratamento, a fecundação acontece em laboratório, sem depender da função das trompas. Após a formação dos embriões, eles são transferidos para o útero.

A escolha pela FIV considera o contexto completo do casal, incluindo idade, reserva ovariana, avaliação seminal e demais fatores envolvidos.

Quais fatores influenciam as chances de gravidez?

As chances de gravidez variam conforme fatores relacionados à saúde reprodutiva do casal.

Entre os principais aspectos avaliados estão:

  • Extensão e localização das aderências;
  • Condições das trompas;
  • Idade da mulher;
  • Reserva ovariana;
  • Presença de endometriose ou outras alterações ginecológicas;
  • Avaliação do sêmen do parceiro.

A análise conjunta desses aspectos permite definir uma estratégia alinhada ao perfil reprodutivo de cada casal.

Perguntas frequentes sobre aderências pélvicas e infertilidade

Aderências pélvicas sempre impedem a gravidez?

Não. O impacto na fertilidade depende da localização e da extensão das aderências. Em alguns casos, elas não interferem na capacidade de engravidar. Em outros, podem comprometer a mobilidade das trompas, dificultar a captação do óvulo ou impedir o encontro entre óvulo e espermatozoide. Por isso, apenas uma avaliação individualizada pode determinar a repercussão de cada caso.

A cesárea pode provocar aderências que afetam a fertilidade?

Sim. Assim como outras cirurgias na região pélvica, a cesárea pode favorecer a formação de aderências durante o processo de cicatrização. Entretanto, isso não significa que todas as mulheres terão impacto na fertilidade. O efeito depende da localização das aderências e do comprometimento das trompas ou de outras estruturas reprodutivas.

É possível identificar aderências pelo ultrassom?

O ultrassom transvaginal não permite visualizar diretamente as aderências pélvicas. No entanto, o exame pode revelar achados indiretos que levantam suspeitas, como alterações na posição dos ovários, redução da mobilidade dos órgãos durante a avaliação ou sinais associados a outras condições, como a endometriose.

Quando existe indicação clínica, outros métodos podem complementar a investigação, conforme a avaliação do especialista.

A videolaparoscopia pode diagnosticar e tratar aderências?

Sim. A videolaparoscopia permite visualizar a cavidade pélvica e identificar aderências envolvendo trompas, ovários e útero. Quando indicada, também possibilita tratar essas alterações durante o mesmo procedimento.

Quando procurar uma avaliação especializada?

A investigação com um especialista em reprodução humana pode ser indicada para mulheres que apresentam dificuldade para engravidar, dor pélvica persistente ou histórico de fatores associados, como cirurgias, infecções pélvicas ou endometriose.

Identificar alterações nas trompas e compreender os fatores envolvidos na infertilidade permite definir a estratégia mais adequada para aumentar as chances de gravidez.

Na Clínica Saphire, cada paciente é avaliada considerando sua história reprodutiva, exames realizados e objetivos, para construir uma estratégia de cuidado individualizada e alinhada às suas necessidades.

Conclusão

As aderências pélvicas podem comprometer a fertilidade ao alterar a anatomia da pelve e o funcionamento das trompas. No entanto, o impacto varia conforme a extensão das alterações e outros fatores reprodutivos.

Com uma investigação adequada, é possível identificar a causa da dificuldade para engravidar e definir a estratégia mais indicada, que pode incluir acompanhamento clínico, tratamento cirúrgico ou fertilização in vitro (FIV).

Na Clínica Saphire, a avaliação em reprodução humana é realizada de forma individualizada, unindo conhecimento científico, tecnologia e cuidado personalizado para oferecer a melhor abordagem a cada casal.

Referências

  • American Society for Reproductive Medicine (ASRM). Fertility evaluation of infertile women: a committee opinion. Fertility and Sterility. 2021;116(5):1255-1265. Disponível em: fertstert.org
  • European Society of Human Reproduction and Embryology (ESHRE). Guideline: Endometriosis. Disponível em: eshre.eu
  • Melo P, Georgiou EX, Johnson N, van Voorst SF, Strandell A, Mol BWJ, Becker C, Granne IE. Surgical treatment for tubal disease in women due to undergo in vitro fertilisation. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2020;10:CD002125. Disponível em: doi.org

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