Quando uma das trompas uterinas está muito comprometida, principalmente quando associada à hidrossalpinge, é comum surgir uma dúvida: retirar a trompa doente vai diminuir ou aumentar a chance de engravidar naturalmente? 

Em alguns casos, a salpingectomia unilateral, retirada de apenas uma trompa, pode fazer parte do tratamento justamente porque preservar uma tuba sem função, muito inflamada ou muito danificada pode atrapalhar a fertilidade.

Suspeita de obstrução, hidrossalpinge ou sequela tubária precisam ser interpretadas junto com os demais exames, o histórico da paciente, a qualidade da outra trompa, a idade, a reserva ovariana e os demais fatores do casal. A decisão correta é sempre individualizada.

Em muitos casos, é possível engravidar com apenas uma trompa. O ponto central é a qualidade da trompa remanescente, a presença de ovulação e a ausência de outros fatores de infertilidade.

O que é a salpingectomia unilateral da tuba doente?

A salpingectomia unilateral é a cirurgia em que se remove apenas a trompa comprometida, preservando o útero, os ovários e a trompa do outro lado.

Ela entra na discussão quando aquela tuba apresenta doença relevante e baixa perspectiva de recuperação funcional. Em vez de insistir na preservação anatômica a qualquer custo, o objetivo passa a ser organizar o plano reprodutivo da forma mais realista.

Quando retirar uma trompa pode fazer parte do tratamento?

A indicação não nasce de um único exame isolado. Ela costuma surgir quando a equipe identifica que uma trompa está acentuadamente dilatada e com líquido em seu interior, quadro chamado de hidrossalpinge, sem chances de voltar a funcionar bem, mesmo após tratamento cirúrgico, enquanto a trompa contralateral parece preservada ou com prognóstico melhor.

A hidrossalpinge pode determinar refluxo do líquido em seu interior para dentro do útero e atrapalhar tanto a gestação espontânea quanto a gestação proveniente de fertilização in vitro.

A obstrução tubária não significa indicação de salpingectomia

Não. Esse é um ponto importante. Alterações proximais em exames como a histerossalpingografia podem refletir espasmo, muco ou falsa impressão de bloqueio.

Por isso, antes de indicar uma cirurgia tubária, o caso precisa ser confirmado e contextualizado com outros exames e com a história clínica.

Dependendo do local da obstrução e do grau de dano, outras estratégias podem ser avaliadas, como canulação tubária histeroscópica, técnicas reconstrutivas distais e outras formas de tratamento da obstrução tubária, incluindo salpingostomia ou neossalpingostomia em casos selecionados.

Vou poder engravidar com uma trompa?

Sim, em muitos casos. Ter apenas uma trompa não significa infertilidade.

Se a trompa remanescente estiver aberta e funcional, se houver ovulação, se a reserva ovariana estiver compatível com a idade e se não existir outro fator importante, como fator masculino, endometriose relevante ou alterações uterinas, a gravidez natural é possível.

A pergunta correta é: “a trompa que ficou funciona bem e o restante da investigação está favorável?”. É isso que realmente define o prognóstico.

O que pesa na decisão sobre retirar ou preservar a trompa?

Uma boa indicação cirúrgica leva em conta vários elementos ao mesmo tempo. Em geral, a conversa deve incluir:

  • Condição da trompa contralateral;
  • Idade da paciente e reserva ovariana;
  • Tempo de infertilidade e tentativas anteriores;
  • Histórico de infecção pélvica, endometriose, cirurgias prévias ou gravidez ectópica;
  • Ovulação, avaliação uterina e espermograma;
  • Desejo de tentar gravidez natural, tempo disponível e preferência da paciente.

Essa avaliação ajuda a diferenciar os casos em que vale tentar preservar a trompa daqueles em que a retirada pode ser a conduta mais coerente.

Quais alternativas podem existir antes de remover a trompa?

A retirada de uma trompa não é a única possibilidade. Em casos selecionados, a conduta pode envolver cirurgia reconstrutiva distal, como fimbrioplastia ou salpingostomia/neossalpingostomia, ou acompanhamento direcionado com estratégia de tentativas por tempo definido.

Tudo depende de onde está o problema e de quão funcional aquela trompa ainda parece ser.

Perguntas frequentes sobre salpingectomia unilateral

Não necessariamente. Uma trompa doente pode atrapalhar, mas a possibilidade de gravidez natural depende sobretudo da condição da outra trompa, da ovulação e da investigação global do casal.

Se essa é a sua principal dúvida, vale ler também o conteúdo: uma trompa doente impede gravidez natural?

Não. A salpingectomia unilateral pode ser indicada tanto para mulheres que desejam engravidar naturalmente quanto no contexto da FIV.

A decisão depende da condição da trompa, da presença de hidrossalpinge, da qualidade da trompa do outro lado e do plano reprodutivo definido após avaliação.

A salpingectomia não é indicada apenas porque um exame mostrou obstrução tubária.

A principal indicação costuma estar relacionada à hidrossalpinge ou a uma trompa muito comprometida, com baixa chance de recuperação funcional. Por isso, o resultado do exame precisa ser analisado com cuidado antes de qualquer decisão cirúrgica.

O tempo para retomar as tentativas depende do tipo de procedimento, da recuperação e dos achados do caso.

Essa orientação deve ser definida na revisão pós-operatória, sem respostas padronizadas para todas as pacientes.

Nesse cenário, se o casal não tiver objeção à fertilização in vitro, esse pode ser o tratamento indicado.

Ainda assim, a decisão deve considerar idade, reserva ovariana, fator masculino, histórico reprodutivo e desejo do casal.

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